Thursday, 28 July 2016

Tiger - Dica de loja

Poucas vezes eu escrevo aqui sobre dicas de lojas. Talvez por não ser tão consumista e não me considerar a melhor pessoa para indicá-las. Nesses anos de blog a única loja que eu me lembro de ter feito um post sobre foi a Shoe Embassy, uma loja de sapatos que eu AMO.

Mas hoje eu quis falar sobre uma loja que eu adoro: Tiger



A Tiger é uma loja Dinamarquesa MARAVILHOSA. Dessas que vendem coisas que você nem precisa mas simplesmente quer! Uma vez que você põe os olhos nessas coisas "inúteis", que são fofas e tem o preço ótimo, elas se tornam indispensáveis. 

Band-aid de coração. Na latinha. £2

A oferta é variada. Eles vendem artigos de decoração, eletronicos, material para DIY (do it yourself), fantasias, artigos para festas, jogos, material de papelaria, artigos para casa, tintas, canvas e até comidas.



Almofadas de flamingos, band-aids de coração, guardanapos temáticos, cola com gliter, mascaras em formato de frutas, imãs que voce mesmo pode desenhar. Todo mundo precisa disso, ne nao?


Papel magnetico para desenhar imãs. £3

A Tiger conta com mais de 600 lojas espalhadas em 28 países, todas na Europa, com a exceção de uma localizada no Japão. 

Em Londres eles tem 21 lojas espalhadas pela cidade. As mais centrais pra quem vem a turismo são: 

Tottenham Court Road 
(essa tem o bonus de ser vizinha da Paperchase, papelaria maravilhosa, de 3 andares!)
241-242 Tottenham Court Road, W1T 7QP London

Oxford Street
105-107 Oxford Street, W1D 2HQ London

Leadenhall Market
58-58A Leadenhall Market, EC3M 7AN

St James' Station (dentro da estação)

Unit 14-17, 55 Broadway, SW1H 0BD London

Se estiverem em Londres e passarem na frente de uma Tiger, entrem! É uma otima pedida pra presentinhos originais, inusitados e lindos. :)

Friday, 24 June 2016

Desabafo Pós-Brexit

No mês de Abril, no ano de 2005, eu fazia a minha primeira viagem internacional, rumo à cidade que tanto me encantava antes mesmo de nos conhecermos pessoalmente. Aos 22 anos, cheia de medos, incertezas mas também excitação, desembarquei em Londres. 

Cheguei na primavera, a estação mais colorida, onde todos estão se despedindo do frio e cinza do inverno e o encanto foi imediato. Londres me conquistou, e o que era um plano de intercambio de 9 meses virou um caso de amor eterno. Nunca mais quis ir embora.

Eu e minha amiga Lana, em 2005. Nossa primeira foto no Big Ben.
Além da linda arquitetura, da importancia historica do país e da presença constante de arte aonde quer que voce vá, o que mais me cativou nessa cidade foi como ela é receptiva com o outro, outras culturas, religiões, comidas, etc. 

Eu, que sempre me senti meio peixe fora d'agua na minha cidade natal, me encontrei aqui. Longe da família, da segurança e conforto que eu tinha no Brasil, aqui eu me senti em casa. Apesar de ser imigrante, me senti abraçada por essa cidade. Sou sua maior defensora, não fale mal de Londres perto de mim.
Foi aqui onde eu passei a maior parte da minha vida adulta, casei e foi o local que eu escolhi para minha filha nascer.

Eu e Guilherme (marido) tomando uma pint ha uns anos atras.

Agora, acelerando o tempo, chegamos em 2016. Ano em que o Reino Unido decide se quer ou não fazer parte da Comunidade Europeia. Os dois lados (Remain e Leave) tem pontos coerentes a serem discutidos. Mas pra quem mora aqui, a gente bem sabe que apesar de todos os outros argumentos da turma do "Leave", o mais importante era a questão da imigração. Todas as pessoas que eu conheço que votaram "Leave" votaram por esse motivo. 

O fato de as escolas estarem lotadas, com crianças que vem de famílias que falam outra língua em casa, de imigrantes ocuparem vagas de emprego que antes seriam ocupadas por britânicos, de comunidades terem imigrantes como a maior parte dos seus vizinhos, etc, etc, etc. Eles dizem que estão perdendo a identidade. 

Hoje, ao acordar, recebi a noticia que o Reino Unido tinha votado pra sair da Comunidade Europeia. 
Ou seja, aparentemente, toda aquela diversidade de culturas e povos convivendo harmoniosamente, que tanto me fascinou em 2005, não é tao legal assim no ponto de vista da maioria dos britânicos.
E o pior é saber de alguns imigrantes, que se dizem britânicos apenas por possuírem um passaporte daqui, que também votaram a favor da saída. Santa ignorância.. 

Eu, como imigrante, pela primeira vez me sinto deslocada nesse país. Me sinto indesejada e até mesmo ofendida. Sabemos que os dados confirmam que a maioria dos imigrantes que estão aqui contribuem muito mais do que tiram. Trabalhamos muito duro e ajudamos a construir esse país, todo dia.

Estamos caminhando, cada vez mais, para um mundo mais segregado. E o Reino Unido deu o pontapé inicial nessa historia.

O resultado dessa votação dói. Tá difícil de engolir.





Tuesday, 14 June 2016

Fatos Curiosos sobre a St Paul's e Christopher Wren

Essa semana eu fiz uns videos no Snapchat (ainda não me segue la? Procura por thaisemlondres) falando sobre umas curiosidades da Catedral de Sao Paulo (St Paul's cathedral) e seu arquiteto Christopher Wren.

Eu tive um feedback super positivo sobre os videos! Como o Snapchat só deixa as historias disponíveis por 24h, eu decidi escrever esse post pra dividir com quem perdeu a minha "transmissão" no dia.


Vou logo avisando que não vai ser um post completinho sobre a catedral, nem uma biografia sobre o seu arquiteto. São só algumas curiosidades pouco comentadas. La vai!

  • Existe uma catedral nesse local desde 604 d.C.
Mas muita coisa aconteceu desde 604 d.C ate os dias de hoje. Ela sofreu um incêndio em 675 d.C e teve que ser reconstruída mas em 961 os Vikings a destruíram novamente. 
Em 1087 um novo incêndio destruiu a catedral, pela 3ª vez. 

  • Em 1642 ela foi muito danificada pois foi usada como estábulo para os cavalos das tropas de Oliver Cromwell. 
Oliver Cromwell era um MP (membro do parlamento) e foi comandante durante a guerra civil, comandando as tropas que derrotaram as forças realistas. Oliver passou então a governar a Inglaterra. 
Depois da morte dele a Inglaterra voltou a ser governada por um Rei, o Rei Charles II. 

Oliver Cromwell

  • Em 1666 Londres sofreu o maior incêndio de todos, conhecido como The Great Fire. 
Esse incêndio destruiu boa parte da cidade incluindo a catedral. 
Depois do incêndio, Charles II, que já conhecia o arquiteto Christopher Wren, o convidou para apresentar um projeto da nova catedral.


Christopher Wren

  • Christopher Wren estudou Ciências e Filosofia na Universidade de Oxford. 
Apesar dessa formação ele era considerado um matemático ou ate mesmo astrônomo. Na época não existia uma formação acadêmica em arquitetura, então os responsáveis pelos projetos eram geralmente bons matemáticos

  • .Wren gastou £600 numa maquete para apresentar seu projeto.
A super maquete de Wren
Wren estava tão determinado a realizar o projeto que ele gastou £600 na construção de uma maquete (a maquete ainda existe!) como uma forma de apresentar melhor sua proposta. No século 17, daria para comprar uma casa com esse mesmo valor.
  • O projeto inicial de Wren foi rejeitado.
Alguns motivos da rejeição foram:

  1. A igreja tinha o formato de uma cruz. E isso era mais associado ao catolicismo e não a uma igreja protestante.
  2. A estrutura não poderia ser construída em etapas. O governo queria que uma parte ficasse pronta o quanto antes para retomarem as atividades da igreja. 
  3. O estilo proposto era muito diferente das igrejas tradicionais inglesas, que tem um estilo mais medieval. A proposta dele era bem mais clássica, tendo sido inspirada nas igrejas da Itália e França, locais que Wren tinha visitado recentemente, 
Wren manteve o formato de cruz. Mas uma cruz alongada
Wren teve que ceder e modificar partes do seu projeto original. Apesar disso a igreja é notavelmente diferente das outras igrejas londrinas, tem um estilo bem mais clássico e uma cúpula que foi inspirada na Basílica de Sao Pedro, em Roma. 

  • O custo da sua construção foi de £1 milhão. O equivalente a £1,5 bilhões, nos dias de hoje. 
  • A catedral ficou pronta em 1710. No dia do aniversario de 76 anos de Wren, seu filho colocou a pedra final da construção. 
 Wren viveu para ver sua obra-prima finalizada, tendo trabalhado mais da metade da sua vida nesse projeto. 

  • Wren morreu aos 91 anos e foi a primeira pessoa a ser enterrada na St Paul's.
Tumulo de Christopher Wren na cripta da catedral

Um tributo muito justo para o "artista" que idealizou e construiu esse sonho.

  • Durante a segunda guerra mundial, a catedral foi alvo de um grande bombardeio.
Apesar dos danos que as bombas fizeram, ela não foi destruída. Inclusive, uma das imagens mais icônicas dos bombardeios em Londres mostra justamente a St Paul's resistindo meio a fumaça e destruição das bombas. 

Linda imagem. St Paul's bela, imponente e resistente!

  • Quando Winston Churchill (primeiro ministro durante a segunda guerra mundial) foi avisado do bombardeio da catedral ele comandou que todos os bombeiros fossem ate a catedral para tentar salva-la. 
Churchill disse "The cathedral MUST be saved" (A catedral tem de ser salva). Ele achava que uma possível destruição desse ícone da arquitetura e religião inglesa abalaria profundamente os cidadãos, Iria afetar a moral dos ingleses durante a guerra.

Até hoje, o fato da catedral ter resistido aos bombardeios é motivo de muito orgulho para eles.
É a lembrança imponente da resistência inglesa frente às adversidades. 

Foto: Reuters


Adoro a historia de Londres e amo dividir com quem também tem interesse. 
E se você quiser fazer um passeio guiado com uma guia brasileira em Londres, é só entrar em contato comigo! 

Tuesday, 15 March 2016

Rodovia de Bicicletas em Londres

Boris Johnson, atual prefeito de Londres (seu mandato encerrará  em Maio 2016), é um ciclista entusiasta. Acho que todos vocês já devem ter visto fotos ou videos do prefeito descabelado, pedalando por ai, inclusive para ir ao trabalho.

Boris Jonhson a caminho do trabalho. Foto: The Times
Foi durante o seu mandato que o, bem sucedido, sistema de bicicletas compartilhadas em Londres foi implantado. E por causa disso, a população carinhosamente apelidou essas bicicletas de "Boris Bikes".

Boris Johnson com as "Boris Bikes" - Foto: The Guardian

Ja era sabido que um dos legados que ele deixaria para a população seria o investimento nas construções de ciclovias e ciclofaixas. E como residente, eu posso confirmar que realmente nos últimos anos foram feitas muitas melhorias nesse sentido. Vários trechos de ciclovias foram inaugurados ou reformados, e é nítido o aumento do numero de ciclistas em Londres nos últimos anos.

No começo desse mês o prefeito anunciou que dia 30 de Abril de 2016, poucas semanas antes dele entregar o cargo, ele inaugurará a "East-West London Cycle superhighway". Algo como uma rodovia, só de bicicletas, ligando o leste ao oeste da cidade.




A grande ciclovia, com 12 milhas de extensão (quase 20km), será segregada das ruas normais, com faixas exclusivas, completamente separadas, só para os ciclistas ou em ruas com pouco trafego de veículos. A nova proposta oferece maior segurança para os ciclistas que antes teriam que disputar seu espaço na rua com carros, ônibus e caminhões.


O trajeto da nova ciclovia ligará Barking, Canary Wharf e Tower Hill ate Westminster. Ou seja, turistas também serão beneficiados. Ja pensou fazer um passeio de bicicleta saindo da Torre de Londres e indo ate o Parlamento?
E ate o final de Outubro de 2016 a proposta é "esticar" a ciclovia ate o Hyde Park. Ja pensou que maravilha? Ver grandes pontos turisticos de Londres, de bike, e ainda por cima terminar o passeio num dos maiores parques de Londres.



Apesar de alguns protestos, principalmente das associações de taxistas e alguns empresários, a maior parte da população (mesmo os não-ciclistas) era a favor do projeto, pois ele representaria uma cidade mais limpa, segura e verde.

Em Novembro do ano passado uma ciclovia, também segregada das ruas, foi inaugurada na região de Vauxhall, sul de Londres. Pesquisas confirmaram que houve um aumento de 73% no numero de ciclistas usando essa rota, mais segura por ser separada do transito. Espera-se que a nova "rodovia" também atinja o mesmo sucesso. Eu mal posso esperar pra experimentar!

E se você quiser fazer um passeio de bike, acompanhado de uma guia brasileira em Londres, é só entrar em contato comigo! :)


Friday, 14 August 2015

Acessibilidade no metrô em Londres

Vocês sabem que eu estou sempre fazendo elogios a essa cidade mas hoje eu vou reclamar um pouco. Desde que virei mãe venho procurando as estações mais acessíveis para ir e vir, já que fica complicado subir e descer escadas carregando um carrinho que pesa 8kg + uma criança + tralhas do bebê.
Não posso reclamar muito pois sempre que tenho que encarar as escadas uma alma caridosa se oferece pra me ajudar. SEMPRE.



Mas e os cadeirantes?

Apesar de todos os ônibus serem completamente acessíveis a parte do metrô deixa a desejar.

Para voces terem uma ideia, das 69 estações da Zona 1, somente 6 são completamente acessíveis.
São elas: King's Cross, Hoxton, Shoreditch High Street, Tower Gateway, Green Park e Southwark.

Outras 9 são apenas parcialmente acessíveis. Por exemplo, são estações que recebem 2 ou 3 linhas de metrô mas apenas uma dessas linhas tem acesso a elevadores. Ou estações que tem elevadores mas a altura da plataforma não é nivelada com o trem, ou seja, você precisa de ajuda para sair do trem para a plataforma.
Exemplo de plataforma/trem desnivelado 

Exemplo de trem/plataforma nivelados

As estações parcialmente acessíveis são:

Paddington - Tem elevadores para as linhas Circle e Hammersmith & City mas falta o nivelamento trem/plataforma.

Earls Court - Piccadilly Line completamente acessível para quem usa a Piccadilly Line. District Line: Falta o nivelamento trem/plataforma.

Euston - A linha Overground tem elevador mas falta o nivelamento trem/plataforma. Todas as outras linhas não tem elevadores.

Westminster - A Jubilee line é completamente acessível. Ja a Circle e a District, apesar de terem elevadores, carecem do nivelamento trem/plataforma

Waterloo - Apenas a Jubilee line é acessível.

Farringdon - Todas as linhas tem elevadores mas falta o nivelamento trem/plataforma.

Monument/Bank - Apenas a linha DLR é acessível.

London Bridge - Apenas a Northern Line é acessível.

Blackfriars - tem elevadores mas falta o nivelamento trem/plataforma.

Esse infografico abaixo mostra linha a linha quantas estações são "usáveis" por cadeirantes. É muito pouco!


Você pode questionar que o metrô daqui já tem mais de 150 anos e obviamente está desatualizado. Mas mesmo estações que foram renovadas recentemente, depois de mais de 1 ano fechadas para reforma, reabriram sem ser acessíveis, como a estação de Embankment, por exemplo.
Não faz sentido nos dias de hoje reformar uma estação inteira e não deixá-la apta a receber cadeirantes.

Sei que o cadeirante que é turista pode se virar usando apenas ônibus. Mas e o residente que precisa sair da sua casa, geralmente longe do centro, para o trabalho? É muito complicado morar nessa cidade e ser impossibilitado de usar o metrô.

Londres, que é referencia no quesito transporte publico, deixa muito a desejar nessa área. Fica aqui meu desabafo e a espera de melhorias em breve.









Wednesday, 29 July 2015

Hampstead

Hampstead, ou Hampstead village, é um bairro no norte de Londres, localizado há mais ou menos 6km de Charing Cross. O bairro é conhecido por ser reduto de muitos artistas, escritores, pintores e hoje em dia é uma das áreas mais exclusivas e caras de Londres. Hampstead tem mais milionários do que qualquer outra area do Reino Unido.


Hampstead começou a ficar popular no século 17 quando foi descoberto uma fonte de água rica em ferro na região. Essa água passou a ser comercializada como cura para vários males e doenças. E por ser localizado num ponto mais alto da cidade, era dito também que as ares de lá eram mais puros. Então muita gente decidia morar em Hampstead por conta da boa qualidade de vida que o bairro oferecia. 







Os moradores adoram manter o estilo "village" (vila) do bairro, com a High Road repleta de estabelecimentos locais. Uma loja do McDonald's que abriu na rua principal fechou depois de pouco tempo pois a população boicotou a rede de fast-food. O que é valorizado aqui sao pequenos cafes, sebos, antiquários e lojas locais.  Alem da High Road repleta de lojas, cafes e restaurantes, Hampstead esconde ruaszinhas muito charmosas e cheias de historias.


Nesse post eu vou falar um pouco sobre as principais atrações de Hampstead, na minha humilde opinião! 

Church Row – Conhecida como uma das ruas mais bonitas de Londres, tanto pelas arvores que enfeitam a rua como pela preservacao das casas. Durante a segunda guerra mundial mais ou menos 67 bombas caíram nessa região de Londres, mas essa rua se manteve intacta. 




Nas casas dessa rua pode-se ver os fanlights, que são essas janelas de vidro acima das portas, em formato de leque. O sistema de numeração de casas só começou no Reino Unido em 1765 então antes disso era atraves desses desenhos que as pessoas identificavam as casas. 




Quando havia uma festa, por exemplo, atrás do convite havia o desenho da janela para que a pessoa chegando na rua pudesse identificar a casa do anfitrião.

St John at Hampstead – Apesar de se tratar de uma igreja muito antiga, do século 14,  a curiosidade mais interessante está no cemitério do adro dessa igreja. Bram Stoker, escritor de Dracula, era residente de Hampstead e frequentador dessa igreja. Quando ele escreveu o livro ele nunca havia visitado o leste Europeu, nunca tido ido a Transilvania, por exemplo, onde boa parte da historia acontece. Dizem que foi esse cemitério que o inspirou a escrever algumas das cenas mais sombrias do livro, como o encontro de Dracula com Lucy.


Outra curiosidade é que nesse mesmo cemitério está enterrado John Constable, um dos pintores mais famosos da Inglaterra do século 19. Constable era muito famoso por pintar paisagens e pintou Hampstead algumas vezes. Enquanto ele era vivo, ele nunca foi celebrado na Inglaterra tendo vendido apenas 20 quadros em toda a sua vida. Já os franceses adoravam suas pinturas e ele foi muitas vezes convidado a se mudar para França com a promessa de que lá ele seria bem sucedido. Apesar dos convites tentadores reza a lenda que ele disse que preferiria ser um homem pobre na Inglaterra do que um homem rico na França. Teve seu desejo atendido: morreu probre na Inglaterra.

St Mary’s Church  Data de 1816 e foi a primeira igreja catolica a ser construída em Hampstead depois da reforma anglicana. Ela eh muito associada com a comunidade francesa que morou em Londres e teve como seu primeiro padre um refugiado da Revolução Francesa. Charles de Gaulle, o general Frances que liderou o exército da França durante a segunda Guerra, frequentava essa igreja durante o seu tempo de exílio na Inglaterra. Esse igreja tem um estilo bem diferente das igrejas da Inglaterra. Acho ate que ela parece com igreja do litoral brasileiro. 



Pub Holly Bush Esse pub é um dos mais conhecidos da área e tá sempre na lista dos melhores pubs de Londres. Alem da localização privilegiada, é conhecido por servir uma comida muito boa, o Sunday roast daqui é bem famoso. É uma ótima pedida para uma pausa para o almoço
Uma curiosidade geral dos pubs daqui é que antes de haver as placas, que avisavam que ali havia um pub, os comerciantes usavam as plantas como sinalização. Por exemplo, se do lado de fora da casa tivesse pendurado flores de lúpulo significava que ali vendia-se cerveja. Se houvesse um  de “holly” (acho que em português é chamado azevinho) significava que ali vendia-se vinho. Então aqui no Holly Bush (e em muitos outros pubs londrinos) eles continuam com a tradição das plantas.
Dr Johnson, aquele da frase "quem está cansado de Londres está cansado da vida" era frequentador desse pub.



Fenton House – Era uma casa de um comerciante do século 17. Hoje em dia eh uma casa histórica  que guarda uma grande coleção de porcelana, um lindo jardim de rosas e um pomar de maça de mais de 300 anos! Há tambem uma colmeia no jardim e você pode comprar o mel que é produzido aqui se quiser. 


Outra curiosidade dessa casa é que da pra notar que algumas das janelas que foram fechadas com tijolos. Isso foi porque em 1696 foi introduzida na Inglaterra uma “window tax”, um imposto que era calculado tendo como base a quantidade de janelas de uma casa. Pra tentar fugir do imposto muita gente fechava a janela com tijolos e ainda é comum encontrar casa por aqui desse jeito. (foto abaixo)




Admiral’s House – Essa casa é mais ou menos de 1700 e foi pintada algumas vezes por John Constable, o pintor que está enterrado na St John’s Church. Ela tem esse formato meio parecido com o de um navio e é chamada de Casa do Almirante devido ao excêntrico marinheiro Fountain North que morava lá. Dizem que ele tinha canhões ao redor da casa e atirava sempre que a Inglaterra ganhava uma batalha naval.

Admiral's House
Parliament Hill


Outra moradora famosa de Hampstead era P. L Travers, autora de Mary Poppins. E dizem que ela escreveu o personagem Almirante Boom, que usava o seu canhão todos os dias as 8am e 6pm, inspirada no antigo morador dessa casa.
No seculo 19 a casa foi ocupada por Sir George Gilbert Scott, arquiteto da St Pancras e do Albert Memorial.

Parque Hampstead Heath – Esse parque cobre mais ou menos 320 hectares entre Hampstead e Highgate. É uma delicia de passeio pra sair um pouco da cidade, aproveitar o verde, ver os cachorros brincando e se sentir fora de Londres.  O parque fica ainda mais bonito durante o outono, quando as folhas ficam em tons de vermelho e amarelo. 


Uma das características mais marcantes do Heath sao os lagos, os ponds. Originalmente eles eram reservatórios de agua potável mas hoje em dia são apenas lagos e 3 deles sao usados como piscinas ao ar livre. Tem o lago misto, o masculino e o feminino. 





Outra parte importante do parque eh o Parliament Hill (monte do Parlamento). Eh um dos pontos mais altos de Londres, oferecendo uma vista incrível da cidade. E essa vista eh protegida por lei.


Keats House – A casa que hoje é um museu foi ocupada pelo maior poeta romantico da Inglaterra, John Keats, que morreu super jovem, aos 25 anos. Seus poemas são caracterizados por um tom sensual e a sua obra é uma das mais populares e analisadas na literatura inglesa. John Keats morou aqui entre 1818 e 1820 (apenas 2 anos) mas foram anos bem produtivos para o poeta. E foi tambem onde ele se apaixonou e noivou com Fanny Brawne, que era sua vizinha. Dizem que a Ode a um Rouxinol, um dos poemas mais famosos dele, foi escrito embaixo de uma ameixeira no jardim dessa casa.



Burgh House – Essa casa, que hoje abriga o Hampstead Museum, foi construída no seculo 18, na época quem que o spa (estancia termal) de Hampstead estava em ascenção. O medico do spa (William Gibbons) mudou-se pra essa casa e a ampliou. Na época do auge da descoberta das aguas termais em Hampstead começaram a comercializar a água "milagrosa". Vendiam uma garrafa de água por 4 centavos, enquanto a mesma garrafa de Gin custava apenas 2 centavos! Depois de um tempo, a historia dos poderes da água foi perdendo a credibilidade e acabou com a fama do spa. O museu que fica dentro da casa conta um pouco da historia do bairro e a casa pode ser alugada para eventos. A Burgh House também é uma escolha muito popular pra quem quer tomar um chá da tarde. Eles tem um cafe aqui dentro, com mesas ao ar livre, onde voce poder tomar um brunch ou chá da tarde.



Flask Walk – Essa ruazinha charmosa, fica pertinho da estação e abriga varias lojinhas locais e um pub classico (The Flask). Johnny Rotten, do Sex Pistols, morou num flat nessa rua. E dizem que foi la onde ele escreveu a famosa "God Save the Queen". 



A musica foi lançada durante o Jubileu de Prata da Rainha Elizabeth em 1977 e tinha uma letra tão polêmica para a época que a BBC se recusou a tocá-la. Na musica a rainha é chamada de fascista e acusada de nao ser humana. A musica alcançou o primeiro lugar na lista da NME mas ficou apenas em segundo lugar na lista oficial dos singles do Reino Unido, que era a lista usada pela BBC. Houveram acusações que o resultado tinha sido forjado, impedindo a musica de chegar ao topo das paradas para que a BBC nao precisasse toca-la.

Hampstead Creperie – Desde 1980 essa creperie existe na High Road de Hampstead e eu posso afirmar que ela é uma das (se não for a mais!) famosas de Londres. O crepe é realmente delicioso  e a barraquinha fica escondidinha ao lado de um pub mas é facil de achar pois geralmente tem uma fila imensa na frente. Nao tem mesas ou cadeiras então o lance é pedir e sair andando pelo bairro. 


Depois de uma confusão com os donos do pub (da onde a creperie usava a agua e energia) eles ameaçaram fechar. Mas a comunidade se reuniu e juntou mais de 12 mil assinaturas pedindo para que eles ficassem lá. Hoje em dia eles tem um acordo com um outro estabelecimento mas é provavel que a creperie nao dure mais muitos anos, então corram lá e aproveitem!!

Espero que voces tenham curtido esse "passeio" por Hampstead. Eu sempre sugiro esse bairro para quem está vindo pra Londres numa segunda (ou terceira, quarta,) vez e tá querendo fugir um pouco dos roteiros clássicos de turismo. 

E se quiserem uma guia brasileira acompanhando você nesse passeio é só entrar em contato comigo! :)