Tuesday, 21 August 2012

London Bridge e por que os ingleses se mantém à esquerda

London Bridge (Ponte de Londres) é onde Londres começou. A primeira ponte foi construída em 52 d.C. pelo exército Romano, do imperador Claudius, perto do local onde a atual ponte se encontra. No ano 80 d.C uma ponte mais permanente, de madeira, foi construída mas acabou sendo deixada de lado e substituída por ferrys. 

A primeira ponte de pedra começou a ser construída durante o reinado de Henrique II e levou 33 anos para ser terminada. Então, foi decretado que casas e lojas deveriam ser construídas na ponte, onde seria cobrado aluguel para pagar a manutenção da ponte. 

Antiga London Bridge


Como a ponte era um pouco estreita, as vias logo começaram a ficar congestionadas. Em 1722 o prefeito de Londres decidiu que o tráfego deveria ser mantido à esquerda para organizar o trânsito. Foi a primeira vez que essa regra virou obrigatória na Gra-Bretanha. 



O motivo pelo qual o prefeito escolheu o lado esquerdo, vem de tempos ainda mais remotos. No passado quase todos preferiam andar pelo lado esquerdo da rua porque era a opção mais racional em sociedades violentas. Como a maioria das pessoas eram destras, ao andar pelo lado esquerdo elas deixavam o lado direito mais perto de um possível oponente, pronto para o combate e a bainha da espada mais afastada dele. Isso também reduzia as chances da bainha atingir outras pessoas

O costume do resto do continente de dirigir ao lado direito da pista vem de Napoleão Bonaparte, que era canhoto. Foi ele que estabeleceu o primeiro sistema de trânsito na maioria dos países europeus, usado até hoje. 

Por volta de 1960 a antiga ponte ja não comportava o transito moderno e o governo decidiu colocá-la à venda. Robert McCulloch, original do Arizona, EUA, ofereceu $2,400,000 por ela. Dizem que o comprador achava que estava comprando a Tower Bridge (Torre de Londres), bem mais imponente e bonita. Isso não sabemos dizer se é verdade ou mito. O fato é que a ponte foi desmontada, pedaço por pedaço e transportada para o Arizona onde foi colocada novamente no Lago Havasu City, no rio Colorado. A ponte de Londres foi a maior antiguidade já vendida, de acordo com o livro Guinness. 

A atual ponte de Londres foi inaugurada em 1973 e é feita de concreto. O asfalto dela é aquecido durante o inverno para evitar o congelamento.

Atual London Bridge

Saturday, 14 July 2012

Biblioteca Britânica

A Biblioteca Britânica, localizada ao lado da estação de King's Cross/ St Pancras, além de oferecer os serviços de aluguel de livros, salas de leitura, é casa de grandes tesouros literários, musicais, documentos históricos e religiosos.

Entrada da Biblioteca

Na galeria Sir John Ritblat, localizada no interior da biblioteca, existe uma exposição permanente e gratuita dos maiores tesouros desta biblioteca.
A exposição é dividida em temas, como: literatura, documentos históricos, textos sagrados, ciência e música, incluindo uma seção dedicada aos Beatles.
A galeria não é muito grande, então o passeio não é cansativo e dá pra ser incluído em qualquer roteiro turístico já que a localização é central e a visita dura pouco mais de uma hora. 

Entrada da galeria

Interior da galeria
Abaixo, seguem os pontos altos da galeria.

Música - Partitura original do Bolero de Ravel e uma sonata de violino do Beethoven. Letras originais, escritas à mão dos Beatles: Yesterday, Help, Hard Day's night (escrita nas costas de um cartão de aniversário de 1 ano do Julian Lennon) e a letra de Michelle rabiscada em um envelope.

Literatura - Caderno e escrivaninha de Jane Austen, primeiras ediçōes impressas de livros do Shakespeare e o primeiro manuscrito de "Alice no país das maravilhas de Lewis Carroll. Esse ultimo infelizmente não está mais exposto mas você pode "folhear" a versão digitalizada dele.

Ciência - Manuscritos de Leonardo da Vinci, datados a partir de 1503, sobre aritmética, proporçōes, mecânica e arquitetura. Incluindo um estudo sobre as prováveis causas de rachaduras/fissuras em paredes e arcos. 

Mapas - Primeiros mapas de Londres e Nova Iorque.

Documentos históricos - Evangelho de St Cuthbert, uma cópia em latin do século VII do Evangelho de São João, o manuscrito intacto mais antigo da Europa. O plano de mesa do jantar da coroação de Ana Bolena, o desenho do planejamento da coroação de Elizabeth I e George III e a Magna Carta, primeiro estatuto inglês.

Documentos sagrados - Fragmentos do papiro do Evangelho de Sao João citando o batismo de Jesus Cristo e a santa ceia. As primeiras biblias escritas em ingles e uma copia da biblia de Gutenberg, o livro que marca o inicio da reproduçao em massa de livros no Ocidente.

É um grande privilégio poder ter acesso à esse tipo de material, muito enriquecedor e é uma das coisas que eu mais gosto aqui na Inglaterra: o acesso fácil à cultura. Está realmente ao alcance de todos os residentes e turistas. Só não aproveita quem não quer. 

A biblioteca abre todos os dias para visitação e a entrada é gratuita.
De segunda a sexta: 9.30-18.30
Sábados: 9.30-17:00
Domingos e feriados: 11.00-17.00

Wednesday, 27 June 2012

Wimbledon

Essa semana começou o torneio de tênis mais antigo e charmoso do mundo. Wimbledon acontece todos os anos no verão, durante 2 semanas, no The All England Lawn Tennis Club (AELTC).

Na entrada do museu de Wimbledon:
"Eles agem como se tivessem o maior torneio do mundo. E eles têm. Esse é "O Torneio".  Pete Sampras


O clube foi fundado em 1868 e, apesar de na televisão mostrarem apenas as 2 quadras principais (quadra central e número 1), o clube possui um total de 19 quadras de grama e um imenso espaço interno com restaurantes, bares, museu e também um morro coberto de grama onde os espectadores assistem os principais jogos através de um telão. Esse morro é popularmente chamado de " Henman Hill", em homenagem ao tenista Tim Henman que foi o ultimo britânico a chegar nas semifinais do campeonato. Atualmente a mídia vem tentando mudar o nome do morro para "Murray Hill" sem muito sucesso, talvez pela falta de carisma do tenista escocês, atual numero 4 do mundo. 

"Henman Hill" em dia de jogo


Uma curiosidade é que as 2 quadras principais são usadas somente durante as semanas do torneio. Durante o resto do ano elas são apenas preparadas para o próximo campeonato.

Quadra central recebendo sua dose diária de "sol" durante o inverno para ficar perfeita no verão.


Conseguir um ingresso é difícil, já que boa parte deles é dedicada aos membros do clube. Porém, todos os dias durante o evento, a bilheteria abre e vende alguns ingressos para o dia para quem chegar primeiro. É comum ver pessoas acampando na área gramada próxima à entrada para garantirem as primeiras vagas na fila. O ingresso básico é barato e dá acesso à entrada ao clube e às quadras 3 a 19. Ingressos para quadra central e número 1 podem custar mais de mil libras e são difíceis de encontrar.

Uma vez dentro do complexo é tradicional comer morangos com creme e beber Pimms, bebida típica do verão inglês. 

Pra quem gosta de tenis, e esporte em geral, recomendo a visita guiada ao complexo e museu. O clube é muito bonito, tem muita pompa e tradição, e é interessante ver ao vivo o que você ja viu inúmeras vezes na televisão. O único ponto negativo da visita é que não dá acesso aos vestiários e à area que os jogadores caminham até chegar na quadra central. O clube tem também uma lojinha que vende lembrancinhas e souvenirs lindos, mas o preço é um pouco salgado.

Peças do museu de Wimbledon. Lindas!

Tuesday, 26 June 2012

Shakespeare's Globe

Geralmente "desprezado" nos roteiros tradicionais de Londres o Shakespeare's Globe está no topo, ou quase topo, da minha lista de lugares mais legais da capital inglesa. 

Apesar de não ser de fato o local onde Shakespeare foi consagrado (o original foi destruido em 1613 depois de um incêndio durante a produção de Henry VIII) o Globe, como eh popularmente conhecido, é uma reconstrução do original. Ele fica localizado ao sul do rio Tamisa, logo ao lado do Tate Modern.
Além da arquitetura recriada do teatro original assistir uma peça lá é quase como uma viagem ao passado. O início da apresentação é sempre anunciado com o tradicional toque de um sino, os funcionários que ficam dentro da arena usam roupas de época (século 15) e a cada intervalo, entre cada ato, uma banda entra, lado a lado com os espectadores, tocando musicas instrumentais usando instrumentos como a gaita de fole e, por um momento, voce sente que viajou no tempo e que está ali, vendo e ouvindo aquilo como nos tempos do Shakespeare. E a ideia é exatamente essa. 

A foto abaixo foi da produção de Romeu e Julieta, do projecto "Globe around the globe", quando todas as peças do Shakespeare foram encenadas em outras línguas e eu tive a alegria de assistir Romeu e Julieta em português, encenado pelo excelente Grupo Galpão, de Minas Gerais.



Ingressos podem ser comprados por £5 (a partir de), sendo os mais baratos reservados pra quem quer assistir a peça em pé. A desvantagem é que as peças são longas e pode ser cansativo ficar de pé, mas ao mesmo tempo quem fica nesse local está mais perto do palco e tem a chance de interagir com os atores, o que acontece quase sempre. 

Recomendo a visita!

Site oficial: http://www.shakespearesglobe.com/